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Justiça
Brasileira condena estelionatário cibernético
6 de Janeiro de
2004
Pela primeira vez, a Justiça
Brasileira condena à prisão uma pessoa por lesar pela Internet instituições
financeiras e seus correntistas. A decisão foi anunciada por Janete Lima
Miguel Cabral, juíza da 3a Vara da Justiça Federal de
Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Guilherme Amorim Oliveira Alves, de Corumbá/MS, foi condenado a
seis anos e quatro meses de detenção por invadir contas bancárias de
correntistas do Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Itaú
além de instituições financeiras do Peru, Coréia e Estados Unidos.
Guilherme, de apenas 19 anos de idade, chegou a ser preso 2 vezes mas
conseguiu obter liberdade entrando com pedidos de Habeas Corpus.
Em julho de 2002, o Ministério Público Federal já havia acusado
o estudante Guilherme por fazer clonagens de sites de bancos brasileiros e
do exterior e aplicar golpes em correntistas pela Internet.
Quando foi preso pela primeira vez, em Campo Grande, Guilherme
era suspeito de desviar cerca de 12 mil dólares de um banco brasileiro,
sendo pego em flagrante com um notebook com dados de 3.500 cartões de
crédito de clientes das administradoras American Express e Mastercard.
Em fevereiro de 2003, o hacker foi detido mais uma vez em
Petrópolis, no Rio de Janeiro, acusado novamente dos mesmos crimes.
Guilherme conseguia obter os números dos cartões de crédito e
das contas bancárias e senhas dos correntistas invadindo os servidores que
hospedavam os sites legítimos das instituições financeiras e direcionando
seus clientes e correntistas para páginas falsas que ele mesmo criava,
capturando todos os dados digitados pelas vítimas nos sites clonados.
Segundo o jornal Correio do Estado, do Mato Grosso do Sul,
Guilherme Amorim ainda tem chances de obter o privilégio de cumprir a pena
em regime semi-aberto, tendo em vista que ele nunca fora condenado
anteriormente, além de estar mantendo bom comportamento dentro da
Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande.
Infelizmente, este é apenas mais um dos reflexos da extrema
impunidade existente no nosso país, que propicia aos criminosos fazerem o
que bem quiserem com a quase certeza que nenhuma conseqüência sofrerão por
seus atos. Me lembro bem de uma matéria feita pela Revista Veja sobre a
impunidade no Brasil. De acordo com os dados estatísticos, apenas 24% das
ocorrências policiais com delitos graves têm sucesso na detenção dos
suspeitos. A morosidade da Justiça é tanta que faz com que os processos
fiquem 90% do tempo nos cartórios e 10% do tempo com os juízes que, então,
chegam a levar até dez anos para julgar os casos. Além disso, a legislação
brasileira é muito tolerante, o Código de Processo Penal permite recursos
demais atrasando a prisão dos criminosos. Em muitos casos, devido à
morosidade da Justiça, há prescrição da pena e o processo é extinto. Como se
não bastasse, apenas 1% dos condenados chega a cumprir sua pena até o fim
porque alguns fogem das penitenciárias e outros conseguem benefícios legais
para reduzirem suas penas por bom comportamento, cumprirem a pena em regime
semi-aberto ou até mesmo em liberdade.
A condenação de Guilherme Amorim aconteceu menos de 2 meses após
Josenias Barbosa dos Santos, de 29 anos, um dos estelionatários mais
procurados pela Justiça do Estado do Pará ser preso em novembro de 2003 num
apartamento de luxo em Fortaleza. Josenias aplicava golpes em correntistas
do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, Real, Unibanco,
dentre outros; e foi indiciado por crime contra o sistema financeiro,
formação de quadrilha, estelionato e falsificação de documento particular. A
Polícia Federal estima que ele tenha roubado, juntamente com 27 integrantes
de sua quadrilha, que também foram presos, cerca de 100 milhões de reais.
Se condenado, Josenias poderá pegar penas que variam de três a
12 anos por crime contra o sistema financeiro, de um a quatro anos por
formação de quadrilha, e de seis meses a três anos, por estelionato.
O volume desviado por Josenias Barbosa nos faz perceber que
Guilherme Amorim é apenas um peixe pequeno no meio de tantos tubarões soltos
por aí. A nós, reles cidadãos, nos resta torcer para que Josenias Barbosa
seja condenado e se enquadre naquele ínfimo 1% dos que cumprem suas penas
rigorosamente como determina a lei; lastimando ainda que, após cumprir sua
pena, Josenias poderia gastar à vontade cada um dos milhões de reais que ele
provavelmente deve ter depositado num paraíso fiscal ou escondido em algum
lugar deste país chamado Brasil.
André Basílio
é Diretor, Analista de Sistemas e Supervisor de Ensino da AB
INFORMÁTICA.

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