Criado o Código de Ética AntiSPAM Brasileiro
19 de Novembro de 2003

            Em menos de 30 dias após o senado norte-americano, por unanimidade, ter caracterizado o Spam como crime, a comunidade digital brasileira cria o Código de Ética AntiSPAM para tentar diminuir o número de Spams no Brasil.
            Spams são e-mails enviados automaticamente a milhares ou até mesmo a milhões de pessoas sem o consentimento do destinatário contendo pirâmides, propaganda enganosa, pornografia ou promessas de enriquecimento fácil. A partir da nova lei criada nos Estados Unidos, os spameres, que são as pessoas que enviam Spams, podem ser condenadas a até um ano de detenção além de ter que pagar uma multa que pode chegar a 1 milhão de dólares!
            Já que existem diversos projetos de lei tramitando no congresso brasileiro sem a mínima perspectiva de votação para aprovação pelo Legislativo, alguns representantes da comunidade digital brasileira formaram o Comitê Brasileiro AntiSPAM, que elaborou o Código de Ética AntiSPAM, divulgado na semana passada, sendo baseado no Código de Ética do CONAR
(Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária) e da ABEMD (Associação de Brasileira de Marketing Direto), como também em várias leis vigentes no Brasil e normas internacionais referentes ao assunto.
            O Spam é, hoje, uma praga na Internet e chega a representar metade de todo o tráfego de e-mails que circula diariamente na web. Além de deixar menos rápida a rede mundial de computadores, também cria dispêndios financeiros nas empresas que recebem este tipo de correspondência eletrônica consumindo banda na rede, gastos com infra-estrutura e, em alguns casos, dispêndios com pulsos telefônicos e ameaça à segurança das redes, além de ocupar o tempo dos funcionários que recebem este tipo de propaganda em sua caixa postal, causando atraso no serviço e perda de produtividade nas empresas. Isto tudo sem contar com o aumento da insegurança já que um e-mail Spam pode trazer consigo um novo vírus e contaminar toda a rede de uma empresa.
            Segundo um levantamento realizado pelo Radicati Group (www.radicati.com), os Spams devem gerar, somente este ano, perdas que ultrapassam 20 bilhões de dólares em todo o mundo.
            O Código de Ética AntiSPAM estabelece regras para o envio de correspondências eletrônicas, inclusive as mensagens do tipo SMS, enviadas para telefones celulares. Pois, até pouco tempo atrás, companhias telefônicas chegavam a enviar propagandas para celulares até mesmo às 2 horas da madrugada, acordando seus clientes e deixando-os extremamente insatisfeitos com a falta de ética profissional dessas companhias.
            Outro fator positivo do Código de Ética AntiSPAM é servir como base para novas legislações a serem constituídas no Brasil.
            O Comitê Brasileiro AntiSPAM é composto pela ABA (Associação Brasileira de Anunciantes), ABAP (Associação Brasileira das Agências de Publicidade), ABEMD (Associação Brasileira de Marketing Direto), ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), ABRANET (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet), AMI (Associação de Mídia Interativa), ASSESPRO (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet), BSA (Business Software Alliance), CAMARA-E.NET (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico) e FECOMERCIO-SP (Conselho de Comércio Eletrônico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo).
            SPAM, ao contrário do que muita gente imagina, não é uma sigla. SPAM é uma marca de presunto enlatado norte-americano que estava sendo pedida repetidamente e exageradamente por Vikings desajeitados num bar, num dos filmes de comédia da famosa série inglesa Monty Pyton.
            Para ler o Código de Ética AntiSPAM na íntegra ou a Cartilha AntiSPAM, basta acessar o site
www.brasilantispam.org. Outro local onde podem ser obtidas mais informações sobre os Spams é o site do Movimento Brasileiro de Combate ao Spam, que fica localizado no endereço www.antispam.org.br.

André Basílio é Diretor, Analista de Sistemas e Supervisor de Ensino da AB INFORMÁTICA.