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Microsoft é
fraudada em US$ 26 milhões
25 de Junho de
2003
Aproveitando uma oportunidade de adquirir programas da Microsoft com preços
subsidiados, Richard Gregg, coordenador do sistema operacional Windows,
é acusado de fraudar a empresa de Bill Gates.
A gigante
do software possui um programa de incentivo, chamado MS Market, que oferece
a seus funcionários os softwares comercializados a baixo custo, e a Microsoft
acusa seu desafeto de adquirir os softwares em nome de outros funcionários
da empresa e revendê-los a pessoas físicas e empresas por preços abaixo
dos praticados pelo mercado.
Entre
janeiro e outubro de 2002, a Microsoft registrou uma venda de 5.436 cópias
de programas supostamente comprados por Richard Gregg. As requisições
eletrônicas de compra partiram de dentro da rede de computadores da Microsoft
em Redmond e foram entregues a Gregg por uma revenda do estado de Nova
York. Os softwares preferidos foram Windows XP, Office XP, SQL Server
e Exchange, sendo que o valor total dos programas adquiridos somam mais
de US$ 17 milhões no varejo convencional. Em dezembro do ano passado,
assim que o indício de fraude foi descoberto pela Microsoft, Gregg, com
43 anos de idade, foi demitido da empresa além de receber um processo
na justiça norte-americana impetrado contra ele pela gigante do software.
Segundo
o jornal The Seattle Times, Richard Gregg recebeu 62 acusações de fraude
eletrônica e alegou inocência em todas elas, sendo liberado após pagar
fiança.
Esta
é a segunda vez que a Microsoft acusa um ex-funcionário de fraude. No
mesmo mês em que Gregg foi demitido, a empresa de Bill Gates também demitia
Daniel Feussner,
programador com 32 anos de idade envolvido em vendas irregulares de US$
9 milhões em softwares da Microsoft, num esquema similar ao aplicado por
Richard Gregg. Neste caso, Feussner foi considerado culpado e pegou uma
pena de mais de 20 anos de prisão. Porém, o fim de Feussner foi trágico,
não chegando a cumprir sua pena por vir a falecer em fevereiro deste ano
após ingerir antifreeze, uma substância anticongelante muito utilizada
em países de clima extremamente frio, sendo misturada ao óleo do motor
de veículos.
Segundo John Hartingh, advogado executivo assistente da Microsoft em Seattle,
Estados Unidos, Gregg e Feussner não trabalhavam juntos. “Mesmo que as
formas de agir sejam quase idênticas, achamos que não há conexão entre
os dois casos”, relatou John Hartingh.
Daniel
Feussner atraiu a atenção de todos porque não conseguiu ficar com a boca
fechada e publicou no seu site pessoal como ele fez para comprar seu iate,
sua Ferrari e outras aquisições extravagantes.
Richard
Gregg, mais modesto, adquiriu um condomínio na 16th Street em Bellevue,
uma Land Rover Discovery e uma BMW M3. Não ficou esclarecido ainda quanto
Gregg tem depositado nas quatro contas bancárias listadas no indiciamento.
John
Connors, chefe financeiro da Microsoft, disse que quando a empresa identificou
as atividades irregulares no último mês de dezembro ela imediatamente
tomou sérias medidas para se certificar que isto não aconteceria novamente
e enviou o episódio de Gregg ao FBI, que está investigando o caso. “Desde
aquela época, nós estamos trabalhando bem juntos ao FBI e ao U.S.
Attorney's Office (equivalente à OAB brasileira) na investigação”, disse
Connors.
A Microsoft requer, agora, que seus funcionários obtenham aprovação de
seus gerentes para poderem adquirir os softwares com preços subsidiados
da companhia.
Se
Gregg for condenado, o ex-coordenador do sistema
operacional Windows da Microsoft pode pegar até 20 anos de prisão, além
de receber uma multa de até US$ 250 mil.
A Microsoft afirma que estas fraudes não afetaram significativamente o
caixa da companhia já que, no último ano fiscal, a Microsoft operou com
um lucro líquido de US$ 7,83 bilhões.
A matéria
completa lançada pelo jornal sobre o caso pode ser lida no site do jornal
The Seattle Times pelo endereço
http://seattletimes.nwsource.com/html/businesstechnology/135065730_microfraud24.html.
André Basílio
é Diretor, Analista de Sistemas e Supervisor de Ensino da AB
INFORMÁTICA.

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