Seu micro está travando?
26 de Fevereiro de 2003

            Não há quem nunca passou por momentos de ira ao ver o seu computador travado, principalmente quando estamos apertados para entregar um serviço. Resetamos o computador, ele inicializa e volta a travar novamente após alguns instantes. Alguns preferem desligar o micro, aguardar alguns minutos e ligá-lo de novo, deixando a máquina descansar antes de tentar trabalhar novamente. E não é que isso dá certo na maioria das vezes? Por quê isso acontece? Porque, desligando o computador, a temperatura interna do micro diminui fazendo com que ele volte a operar normalmente após alguns instantes.
            Vários motivos levam ao travamento dos computadores. Os mais freqüentes ocorrem por ações de vírus, sistema operacional com arquivos corrompidos e memória RAM com defeito. Fora estes principais motivos, há os demais componentes do computador a serem checados como placa mãe, processador, fonte de energia, disco rígido, BIOS e placas secundárias, além dos demais softwares instalados no computador que podem estar executando alguma operação ilegal e fazendo com que o micro trave.
            Agora, um componente que muita gente se esquece de checar e, na verdade, deveria ser checado pelo
menos uma vez por mês, é o cooler do processador, que é o ventilador utilizado para resfriá-lo. Os melhores coolers à venda no mercado são os que possuem rolamentos com esferas que propiciam uma melhor rotação da ventoinha do cooler e menor nível de ruído.
            A temperatura nos meses que envolvem o fim e início de ano, que geralmente são os meses mais quentes no Brasil, é a responsável pela maioria dos travamentos dos computadores. Na era dos gigahertz, os processadores dos computadores estão esquentando cada vez mais, necessitando de coolers cada vez mais potentes para esfriar a máquina e evitar que o processador queime.
            O que acontece muitas vezes é que a poeira existente no ar entra no computador e gruda no cooler, fazendo com que caia a sua velocidade de rotação e, conseqüentemente, aumente a temperatura do processador, fazendo com que o computador trave de vez em quando.
            Cada processador funciona numa certa temperatura e várias outras temperaturas influem na sua temperatura final. Por exemplo: além da temperatura do ambiente da sala onde está o computador, há a temperatura dentro do gabinete do computador e a temperatura que pode ser checada na ponta do próprio processador. Esta última temperatura costuma ficar em cerca de 44º C nos processadores da
linha Intel e em cerca de 55º C nos processadores da linha AMD, que esquentam um pouco mais. Uma variação positiva de 10º C na temperatura ambiente, fará com que a temperatura interna do gabinete aumente, aumentando também a temperatura do processador, que nunca deve chegar aos 70º C. Quando um processador começa a funcionar a partir desta temperatura, ele já começa a poder processar incorretamente os dados, fazendo com que o micro venha a travar. Além disso, se a temperatura chegar aos 90º C, alguns dos milhões de transistores que compõem o processador já começam a derreter, queimando o processador ou fazendo-o travar de vez em quando, o que é pior, pois o seu funcionamento fica intermitente e o processador deixa de ficar confiável, sendo recomendável a sua substituição.
            Há períodos em que o cooler fica cheio de poeira e continua funcionando numa boa velocidade. Mas, isto não é por muito tempo. Quando passamos por temporadas de chuvas, onde aumenta a umidade relativa do ar, a poeira existente no cooler pode virar lama, fazendo-o parar de rodar do dia para a noite, podendo queimar o processador do computador e ainda levar consigo a placa mãe e/ou disco rígido do micro.
            Existe um site na Internet que evidencia bem o perigo do cooler parar de funcionar. É o Tom’s Hardware (
www.tomshardware.com), um dos melhores sites sobre hardware do mundo, que fez um teste deixando os processadores dos fabricantes sem refrigeração para ver o que acontecia. O resultado foi o seguinte: o Pentium 4 da Intel teve a sua velocidade diminuída até quase parar. Ativando a refrigeração novamente, ele voltou à sua velocidade normal. O Pentium III, também da Intel, travou com a falta do cooler. Os Athlons da AMD não tiveram a mesma sorte, tendo sido queimados em menos de 10 segundos. Inclusive, em um dos testes, a placa mãe do computador também queimou, elevando bastante o valor total do prejuízo.
            Quem quiser ver como foram feitos todos os testes, pode acessar o
endereço www4.tomshardware.com/cpu/01q3/010917/heatvideo-01.html. E, para quem quiser ir diretamente para o vídeo para ver os processadores torrando, pode acessar o endereço www4.tomshardware.com/cpu/01q3/010917/heatvideo-05.html.

    
Athlon (Antes)                   Athlon (Depois)

            O Pentium III travou porque ele possui um dispositivo que checa a sua própria temperatura e, quando percebe que está chegando a um nível crítico, ele se desliga automaticamente para evitar de queimar, fazendo com que o computador fique travado numa mesma tela.
            O Pentium 4 possui um recurso especial e exclusivo que checa a sua temperatura o tempo todo que o micro está ligado. À medida que a temperatura vai subindo, o Pentium 4 vai diminuindo a sua velocidade para manter a sua temperatura sempre estável. Pouca gente sabe, mas é por este motivo também que algumas pessoas dizem que têm um Pentium 4 que é mais lento que um Pentium II ou Pentium III.
            No Brasil, dois problemas fazem com que os Pentium 4 funcionem mais lentamente. Primeiro, temos o problema da alta temperatura em nosso país tropicalíssimo. O segundo problema é que muitos montadores de computadores no Brasil não fazem a montagem de acordo com as normas exigidas pela Intel. O Pentium 4, por exemplo, precisa ser montado num gabinete de 4 baias com uma fonte de energia especial de 450 watts. O fato do gabinete ter que ser maior não é mero luxo ou imposição arbitrária da Intel. O gabinete precisa ser maior exatamente para se obter uma maior circulação de ar internamente no computador.
            Outra exigência da Intel referente aos Pentium 4, existente na norma Intel FMB2, é que as indústrias montadoras de computadores coloquem um cooler adicional no gabinete do micro para retirar o ar quente que circula dentro do gabinete, e muitas montadoras não estão cumprindo a norma, fazendo com que o usuário final, após comprar a máquina montada, ainda gaste mais alguns trocados para que a performance da máquina seja mantida.
            Os gabinetes dos computadores equipados com processadores da Intel a partir de 3 GHz já devem possuir outra estrutura física, tendo um tubo na lateral do gabinete que permite enviar o ar ambiente (mais frio que o ar interno do gabinete) diretamente ao processador do computador, utilizando um cooler que tem a aparência de uma turbina. Esta mudança faz parte de uma nova norma da Intel, que conseguiu diminuir a temperatura na ponta dos processadores em vários graus.
            Para verificar se o seu computador possui ou não este cooler adicional, verifique se atrás do seu micro existem dois ventiladores, porque um já é o da fonte de energia, existente em todos os computadores. Se o computador não possuir o cooler adicional para o gabinete, este pode ser adquirido em lojas especializadas de informática, que oferecem diversas opções de coolers para gabinetes ao custo médio de R$ 20,00 cada, além da mão-de-obra para instalação deste componente. Em ambientes muito quentes, pode ser recomendável também a instalação de um segundo cooler adicional no gabinete no computador ou a instalação de um condicionador de ar no ambiente de trabalho.
            É interessante também que as pessoas criem o hábito de trocar o cooler do processador do computador pelo menos uma vez por ano. Dificilmente um cooler continua rodando por dois anos sem apresentar problemas. É importante ficarmos atentos às trocas de cooleres da mesma forma que devemos ficar atentos às trocas que já nos acostumamos a fazer nos automóveis como as trocas de filtros e de óleo. Se quisermos manter nossas máquinas mecânicas em perfeito funcionamento, evitando aborrecimentos futuros, devemos dar uma atenção especial a elas. E não podemos nos esquecer que, apesar do computador ser um equipamento essencialmente eletrônico, o cooler do computador é uma peça mecânica.

André Basílio é Diretor, Analista de Sistemas e Supervisor de Ensino da AB INFORMÁTICA.