Queda de Preços de Computadores
15 de Janeiro de 2003

        Após ter aumentado a alíquota de impostos sobre os produtos de informática na virada do ano de 2001 para 2002, propiciando a uma pequena retração no mercado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no último dia de seu governo, editou a Medida Provisória no 100 zerando a alíquota de IPI dos computadores de produção nacional que custam até R$ 11 mil, entrando em vigor em 1o de janeiro de 2003.
       
Tal iniciativa foi adotada para aumentar a venda de equipamentos de informática no Brasil devido ao fato de apenas 6,29% dos brasileiros terem acesso a computadores, perdendo percentualmente em nível de informatização para a Argentina (9,11%), Chile (10,65%) e Uruguai (11,01%).
       
Analisando o número de usuários que têm acesso à Internet no mundo, para cada grupo de 10 mil habitantes, o Brasil tem apenas 465 usuários da rede mundial de computadores, perdendo para a Argentina que tem o dobro de usuários percentualmente (911), Espanha (1827), Portugal (2426), Itália (2827), Coréia (5210), dentre outros.
        Estima-se que o mercado mundial de informática deva crescer 8,3% em 2003 e o Brasil não quer estar de fora desse boom de crescimento. O objetivo do governo brasileiro em zerar a alíquota de IPI foi em reduzir o custo do computador e incentivar a produção nacional, além de propiciar um aumento de cultura, pesquisa científica e aprimoramento geral da nação.
        O governo também decidiu reduzir a obrigação de investimento em pesquisa e desenvolvimento de 5% para 2,5% do faturamento das empresas.
        Uma exigência para que as indústrias obtenham o benefício de redução do IPI é cumprir o Processo Produtivo Básico (PPB) que contém normas de produção estabelecidas pelo Ministério do Desenvolvimento.

       
A isenção da alíquota de 15% do IPI em 2003 será total, mas será reduzida paulatinamente até 2010, quando a alíquota voltará ao normal. Nos anos de 2004 e 2005, por exemplo, a isenção será parcial em 95% e 90%, respectivamente.
        Os produtos de informática importados também receberam um grande benefício. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) reduziu a Tarifa Externa Comum (TEC), em média, de 26% para 16%.
        De acordo com o ex-ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, Sérgio Amaral, essas medidas foram discutidas previamente com seu sucessor, Luiz Fernando Furlan, do governo Lula, que aprovou a iniciativa.
        Tais reduções de alíquotas favorecerão a uma redução de cerca de 15% no preço final dos bens de informática aos consumidores nacionais.
        Para que nos beneficiemos destas medidas, devemos aguardar até que esses novos computadores cheguem às lojas, já com a redução dos impostos.
        Outro fator que fará com que os computadores caiam de preço consideravelmente é a queda do dólar. Muitos dos grandes importadores de equipamentos de informática adquiriram esses produtos quando o dólar ainda estava com valor majorado na faixa de R$ 3,70 a R$ 3,80. Estando, hoje, o dólar no patamar de R$ 3,30, esses importadores não conseguem diminuir o valor de seus produtos, pois foram comprados na alta do dólar e, enquanto estes não forem vendidos e importadas novas mercadorias com o dólar baixo, os equipamentos de informática não terão redução significativa no preço. Caso daqui há 15 a 30 dias os estoques existentes sejam diminuídos e cheguem novas remessas de equipamentos importados com o valor atual do dólar, o preço dos equipamentos de informática deve cair cerca de 10%, além da queda que já ocorrerá pela diminuição dos impostos.
        Portanto, a melhor medida, talvez seja esperar um pouco para adquirir um novo computador. Pois, juntando a queda do dólar e a redução das alíquotas, os computadores devem cair cerca de 25% de seus valores atuais. Enquanto isso, devemos ficar torcendo para que a iminência de uma nova guerra entre os EUA e o Iraque não afetem tanto a cotação do dólar e possamos comprar novos computadores a preços justos. É esperar para ver.

André Basílio é Diretor, Analista de Sistemas e Supervisor de Ensino da AB INFORMÁTICA.