Microsoft deverá abrir
código-fonte do Windows
O
Departamento de Justiça dos Estados Unidos decretou, na sexta-feira
passada, que a Microsoft terá que
fornecer o
código-fonte do sistema operacional Windows para um grupo de Estados
norte-americanos que continua pedindo punições à companhia pela sua
conduta monopolista de mercado.
A juíza federal responsável pelo
caso, Colleen Kollar-Kotelly, considerou que os nove Estados que
mantêm o processo antitruste contra a empresa lutando por sanções
mais severas contra a gigante do software precisam ter acesso ao
código-fonte do programa para checar a afirmação da Microsoft de que
é tecnicamente impossível criar uma versão mais simples do Windows
sem o Internet Explorer. "Ao meu ver, se o lado da Microsoft tem
acesso a esses dados, então o outro lado, francamente, deve ter
acesso também", disse a juíza aos advogados da Microsoft.
Em junho de 2000, a Justiça
norte-americana constatou que a Microsoft manteve procedimentos
monopolistas no mercado de sistemas operacionais, quando houve um
pedido de divisão da empresa em duas para tentar quebrar o domínio
do mercado. Mas, tal pedido fora rejeitado pela Justiça, quando nove
dos 18 Estados que moviam a ação aceitaram um acordo proposto pela
Microsoft e pelo próprio Departamento de Justiça para pôr fim ao
caso.
Durante o mês de novembro de 2001, o
Departamento de Justiça e a Microsoft fizeram um novo acordo para
solucionar o caso antitruste: a Microsoft deixaria de retaliar os
fabricantes de PCs, no caso destes não adotarem o Windows como
sistema operacional do computador; abriria parte do código-fonte do
Windows para facilitar à indústria de desenvolvimento de softwares
criar produtos semelhantes; e facilitaria a remoção dos acessórios
do Windows.
Depois de analisar mais de 30 mil
comentários públicos a respeito do acordo obtido com a Microsoft, o
Departamento de Justiça dos EUA concluiu que cerca de 70% dos
norte-americanos rejeitam a proposta. O Departamento divulgou 47
desses comentários, julgados relevantes por possuírem argumentos
detalhados e elucidativos. Desses 47, apenas cinco eram favoráveis
ao acordo. Os demais comentários serão publicados na internet e em
CD-ROM brevemente.
A juíza federal planeja ler os
comentários fundamentados antes de tomar uma decisão se aprova ou
não o acordo.
Um dos comentários, escrito por Mark
Alexander, profissional de tecnologia de Scarsdale (Nova York), diz
que "a indústria de informática, especialmente a de software, sempre
foi um espaço vibrante com um grande número de tecnologias
concorrentes. A Microsoft acredita que competir é 'tirar o fôlego'
dos potenciais concorrentes, e essa prática deve ser eliminada."
Outro comentário, escrito por Eben
Moglen, professor de direito da Universidade de Columbia, alerta que
"os termos do acordo criam uma série de brechas técnicas que
pervertem a intenção inicial de reparar a competição nesse setor da
indústria".
Grande parte dos comentários
contrários ao acordo vieram de entidades de defesa ao consumidor e
de entidades que defendem o software livre, como o Linux,
freqüentemente atacado pela Microsoft como um perigo para a
propriedade intelectual.
Dos cinco comentários favoráveis à Microsoft, um foi de um
economista, outro de uma fundação de advogados, outro de uma
associação liberal e dois de grupos de tecnologia com interesses
ligados à empresa de Bill Gates. |