Microsoft não será dividida em duas

        A Justiça dos Estados Unidos confirmou que a Microsoft, maior fabricante de softwares do mundo, não será dividida em duas empresas. Agora, o caso volta para a corte distrital de onde saiu, e o juiz Thomas Penfield Jackson está fora da decisão. A primeira instância deve encontrar outra solução para a Microsoft.
        No entanto, a Corte de Apelação de Washington continua convicta de que a Microsoft utilizou práticas ilegais inserindo o navegador Internet Explorer gratuitamente no Windows 95, monopolizando o mercado de browsers para Internet e prejudicando fortemente a concorrente Netscape que, às vésperas do lançamento do Windows 95, possuía o navegador mais utilizado na internet.
        Nos anos seguintes, a Microsoft integrou o browser Internet Explorer ao sistema operacional Windows 98 e sucessores, o que foi visto pelo governo norte-americano como um gesto anticompetitivo.
        Por este motivo, em 1998, o Departamento de Justiça Norte-Americano e procuradores-gerais de 19 estados dos Estados Unidos entraram com um processo anti-truste contra a Microsoft.
        Em junho de 1999, uma instância distrital determinou que a Microsoft fosse dividida em duas companhias para evitar futuros problemas de concorrência desleal. Ficaria uma empresa responsável pelo sistema operacional Windows, de detém hoje cerca de 90% do mercado e a outra empresa responsável pelos demais programas comercializados pela Microsoft. Uma das duas deveria ser vendida.
         A Microsoft recorreu da decisão e o tribunal de apelações decidiu que a Microsoft realmente tentou monopolizar o mercado ao integrar seu navegador Internet Explorer ao sistema operacional Windows, mas que dividir a empresa em duas não era a melhor saída para solucionar o problema.
        Como visto, não é só a justiça brasileira que é lenta. Este processo já perdura mais de 5 anos e ainda pode estar longe de uma conclusão final.
        O novo sistema operacional da Microsoft, o Windows XP, também deve ter problemas na Justiça. Os procuradores estaduais que cuidam do caso antitruste contra a Microsoft devem citar o Windows XP nas próximas etapas do processo, como uma evidência do comportamento predatório da empresa.
        O procurador-geral de Iowa, Tom Miller, acredita que a decisão da companhia em incluir outros softwares concorrentes em seu próximo sistema operacional e usá-los para conseguir usuários para seus serviços de internet é mais uma evidência de suas ações predatórias de monopolização do mercado de softwares.
        Miller, disse que a integração de serviços como o comunicador instantâneo Messager, da Microsoft, ao Windows XP lembra a integração do Internet Explorer ao Windows, o que levou a Microsoft a dominar o mercado de navegadores de internet e praticamente acabar com a concorrente Netscape.
        As reclamações sobre o Windows XP foram feitas pela AOL, hoje proprietária do navegador Netscape e pela Sun Microsystems, proprietária da linguagem de programação Java, utilizada no Windows.
       
O porta-voz da Microsoft, Jim Cullinan, afirma que é prematuro discutir o desenrolar do caso antes que a Corte de Apelações de Washington dê seu parecer. Ele defende a decisão da Microsoft de adicionar novos recursos ao Windows XP, dizendo que essa prática beneficia os consumidores e não prejudica a competição no mercado. Jim também disse que "Nenhum concorrente é proibido de rodar seus aplicativos no Windows" e que "É o consumidor que tem de decidir o que ele quer fazer com seu PC."

André Basílio é Diretor, Analista de Sistemas e Supervisor de Ensino da AB INFORMÁTICA.